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Cardeal
Dom Sebastião Leme e os Pobres
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Recordando, no jubileu do nosso cardeal-arcebispo as suas
benemerências, não é possível que silenciemos uma das suas
grandes virtudes, a caridade manifestada na beneficência popular.
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No jubileu episcopal de sua eminência o cardeal Arcoverde,
em 1915, quis o então bispo auxiliar, Dom Sebastião, que no
programa das festas figurasse um jantar aos pobres.
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Festejando, mais tarde, arcebispo-coadjutor, os 50 anos de
sacerdócio do mesmo cardeal Arcoverde, promoveu a fundação de 50
escolas populares.
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No programa de Ação Católica, redigido e publicado por sua
eminência, ainda como arcebispo-coadjutor, um capítulo é
especialmente dedicado a “Obras de Caridade e Assistência
Popular”.
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Em 27 de novembro de 1931, baixava sua eminência uma
circular, em que punha em execução
a Carta Apostólica de s. s. o papa Pio XI
“Nova Impendent”.
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Depois de por em evidencia a solicitude da Igreja, em favor
das classes operarias, e os efeitos da crise econômica nas classes
populares do Brasil, faz um apelo ao povo católico,
recomendando-lhes uma cruzada de orações e a cruzada de caridade
que se prolongou de 21 de dezembro de 1931 a 2 de janeiro de 1932.
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Em uma extensa circular, o sr. cardeal-arcebispo, traça a
organização prática da Semana do Pobre. Uma comissão central e
outra auxiliar, nascidas dos diversos setores da Confederação Católica,
sob a presidência de monsenhor Luiz Gonzaga do Carmo, dirigiam todo
o movimento de arrecadação e donativos. Todas as ruas da cidade
foram percorridas metodicamente, por grupos angariadores.
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Foi designado um dia para a distribuição, por meio de cartões.
Os pobres envergonhados mereceram sua especial atenção. Somente
duas ou três pessoas respeitáveis faria chegar a eles o óbolo da
caridade. Faz sugestões de vários outros meios de que se poderia
lançar mão, para estabelecer um socorro eficiente e completo a
pobreza, como seja, p. e., a designação de determinadas famílias
encarregadas de socorrerem determinados pobres.
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E o sr. Cardeal termina a sua belíssima circular com as
seguintes palavras:
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Queremos
crer que, secundados pela graça divina, não haverá coração
indiferente ao apelo do papa, cujas palavras diríamos nossas também,
se no fundo da alma não sentíssemos que são do próprio Jesus
Cristo. É Ele mesmo que a toda a população do Rio de Janeiro
estende a mão divina e pede uma esmola para os seus filhos mais
queridos e privilegiados, os pobres.
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Por nós e pelos pobres, é de todo o coração que a cada um
de quantos responderem generosidade ao nosso apelo, aqui deixamos o
nosso muito cristão e muito brasileiro
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Deus
lhe pague!
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Falam eloqüentemente estas palavras. Vê-se aí um coração
de um pai, que sofre com os filhos desprotegidos da fortuna.
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Muitas outras cousas fará em prol dos pobrezinhos.
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Deus lhe dê longa vida e saúde para realizar todos os seus
grandes projetos, cujo ideal é socorrer, com maior largueza, os
pobres, os operários e todos os que, de qualquer maneira, sofrem o
peso da penúria.
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Nota edificante: Quando criado cardeal, sua eminência ia
ser recebido, no Rio, com grandes festas, para as quais haviam
contribuído, com generosos donativos, clero e fieis do
arcebispado. Os acontecimentos de outubro de 1930, porém, vieram
prejudicar as festas do cardinalato. Resultado: Apurou-se um saldo
de 20:000$000, destinados a recepção, quantia essa que a comissão
dos festejos pôs imediatamente a disposição do nosso
cardeal-arcebispo. Sua eminência ofereceu-a toda aos pobres.
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