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HOMENAGENS
NACIONAIS A NOSSA SENHORA APARECIDA
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De 17 a 31 de Maio de 1931, fez realizar o sr. cardeal Dom
Sebastião Leme imponentíssimas homenagens nacionais a Nossa
Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil. Do que foram
essas solenidades, basta transcrever estas palavras do eminente
cardeal-arcebispo:
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Quando,
á tarde de ontem, vi espraiar-se aos pés do altar da Aparecida a
onda humana que na Esplanada se comprimia, mais que nunca, senti
orgulho da minha fé, da minha pátria e da minha cidade. Penso que
ninguém me poderá levar em conta de exagero se afirmar que espetáculo
como o de ontem nenhuma cidade do mundo poderia apresentar. Não são
muitas as capitais que contam mais de um milhão de habitantes, e não
chegam a meia dezena as grandes cidades de população católica
como a nossa. Bastaria esta reflexão para mostrar a razão e a
justiça da minha afirmativa. Além disso, qual cidade do mundo
comparável à nossa, pela espontaneidade e vibração de sua fé
religiosa, intensa, expansiva e transbordante? O Rio de Janeiro foi,
na aclamação de ontem, a voz de toda a terra brasileira. Ato de fé,
expressão de confiança, a procissão valeu como um plebiscito
nacional, cujo voto proclamou Nossa Senhora da Conceição
Aparecida, mas ainda como Rainha do Brasil.
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E o voto do povo brasileiro foi tão unânime e ardoso que
explodiu nas chamas de um imenso e portentoso incêndio de corações”.
Em
1930, o santo padre declarou Nossa Senhora Aparecida Padroeira do
Brasil. Comemorando o auspicioso acontecimento, quis o Cardeal Leme
consagrar duas semanas as solenidades em honra
de Nossa Senhora Aparecida: “Ato público de fé
religiosa, manifestação de carinho filial à Mãe e Senhora do
povo brasileiro, exultação e regozijo pelo reconhecimento canônico
do seu padroado nacional, apelo fervoroso à sua valiosíssima proteção
para o Brasil, a semana de Nossa Senhora Aparecida avultará ainda
como um grito de confiança irredutível no futuro da
nacionalidade”.
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Realizaram-se sessões de
estudos, sessões solenes em várias igrejas desta capital, a esse
fim preparadas e uma imponentíssima procissão, talvez a mais
concorrida, a mais brilhante de todas quantas jamais se realizaram
na capital da República.
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A trasladação da imagem, de Aparecida do Norte para o Rio
de Janeiro, onde demorou algumas horas, foi um dos atos mais belos,
mais tocantes e de maior êxito para a expansão dos sentimentos
religiosos do nosso povo. As autoridades civis e militares, e chefe
do governo participara das solenidades. O religioso casou-se
lindamente bem com o cívico e patriótico. E o Cardeal Dom Sebastião
Leme, durante muitos dias e muitas noites, foi o grande e incomparável
chefe, o animador o guia de mais de dois milhões de almas, que
tantas eram as dos que vieram de fora, em vapor, trem, auto e avião
e as do que formam a grande família carioca.
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Diante desse belíssimo espetáculo de fé, várias conversões
se operaram, em plena praça pública. Os altos Poderes de Estado
mais uma vez verificaram a força respeitável da Igreja no Brasil e
a sua poderosa e incomparável participação na defesa da
nacionalidade. E todos viram, e todos sentiram essas poderosíssimas
qualidades de chefe, de organizador, de pai, de pastor, que assistem
ao grande bispo e grande brasileiro que é sua eminência o sr.
Cardeal Dom Sebastião Leme.
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Verificou-se ainda, nas homenagens nacionais a Nossa Senhora
Aparecida, quanto é ardorosamente devoto da Virgem S. S. o nosso
cardeal-arcebispo. Seu apelo aos fieis, nessa ocasião foi
verdadeira prece de inabalável confiança de intercessão da Mãe
de Deus.
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Desde o Congresso Eucarístico do centenário, vinha sua eminência
pensando na realização das festas marianas, como conseqüência
natural do preito nacional de adoração a Jesus Sacramentado. Ele
próprio é o quem diz no discurso de encerramento das semanas em
honra da Senhora Aparecida:
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“O
amor da Eucaristia e o amor de Nossa Senhora são amores que se não
podem separar. Como amar o filho de Deus, sem que lhe amemos a Mãe
Santíssima? São duas realidades sobrenaturais, que na historia da
Igreja sempre vieram juntas”.
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Para
felicidade nossa, juntos também vivem no coração do sr. cardeal
estes dois amores, que são, aliás, o segredo de suas vitórias, ou
mais explicitamente falando, das grandes vitórias do Brasil.
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EM
LOUVOR DE NOSSA SENHORA APARECIDA
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(Missa campal) -
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No dia 31 de maio, Festa de Pentecostes, que, por sinal, era
a data litúrgica da sagração episcopal do cardeal Dom Sebastião
Leme, tiveram o inicio as grandes comemorações do jubileu
episcopal..
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Terminavam, nesse dia, as solenidades religiosas, nas paróquias
do arcebispado, com missas festivas e comunhões gerais, na intenção
do exmo. prelado diocesano.
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Era celebrada, ao mesmo tempo, em frente a Igreja de
Sant’Anna, missa campal em louvor de Nossa Senhora Aparecida,
padroeira do Brasil e protetora especial do jubileu. Celebrante, Dom
José Pereira Alves, bispo de Niterói. Comparecimento de sua eminência
e de vários prelados. Assistiram a missa o prefeito interino da
cidade, cônego Olympio de Mello e o representante do sr. Ministro
da Guerra.
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Lindo era o aspecto da praça Dom Sebastião Leme, toda
embandeirada por ordem da prefeitura, e repleta de fieis, dentre os
quais sobressaiam os sócios das Ligas de Jesus, Maria, José, com
suas insígnias e estandartes. Diante de artístico altar, levantado
a entrada da igreja, o povo, em forma, assistia com devoção, as
santo sacrifício da missa. A hora da elevação, a banda de musica
da policia militar executou o hino nacional, cantados por alunos de
vários colégios. Os padres da Aparecida, associando-se as festas
jubilares, fizeram celebrar, na basílica de Nossa Senhora
Aparecida, missa solene pelo cardeal, a mesma hora em que celebrava
o santo sacrifício, em frente a igreja de Sant’Anna.
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Terminada a missa, o cardeal foi cumprimentado pelo cônego
Olympio de Mello, prefeito interino, e várias pessoas de distinção
social. A seguir, realizou-se a grande manifestação popular a sua
eminência, na frente da qual desfilava a Irmandade de N. S. da
Penha, acompanhada pela banda de musica, escolas populares, vindo após
os associados das 41 Ligas Católicas, os congregados marianos,
membros de Ordens Terceiras, vicentinos, etc.
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Interpretando os sentimentos populares, falou o cônego
doutor Henrique Magalhães, que proferiu vibrante oração, saudando
o nosso eminente cardeal. S. eminência deu a bênção a todos os
presentes, e, debaixo de entusiásticos vivas e palmas da multidão,
retirou-se seguido por vários bispos. Foi uma grande manifestação
de fé, a missa em louvor de
Nossa Senhora Aparecida, e a homenagem que, em seguida, prestam os
fieis ao cardeal-arcebispo. Amigo do povo, era o seu povo quem,
naquela hora proclamava a satisfação com que a arquiocese iria
comemorar-lhe o jubileu episcopal.
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As manifestações de alegria e de piedade filial do povo
carioca, se juntavam, naquela hora solene, as orações que por roda
a parte, se iniciavam, pela conservação do grande cardeal do
Brasil, preces públicas promovidas em várias dioceses, por ordem
dos respectivos prelados diocesanos. A esse espetáculo edificante,
com que toda a cidade e o país faziam subir para o céu o clamor de
suas preces, se referiu, na recepção ao clero, o nosso cardeal,
considerando-o como verdadeiro plebiscito de fé.
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Em atenção a estes nobilitantes predicados e títulos
insignes, que elevam a sua pessoa, exmo. sr. cardeal, a uma posição
de inconfundível prestigio e celebridade no meio do clero da Igreja
Católica, a província eclesiástica de Porto Alegre, composta de
uma arquiocese, quatro dioceses e uma prelazia, deposita aos pés de
v. emcia. As homenagens sinceras do seu amor e veneração.
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Queira Nossa Senhora Aparecida, no dia hodierno, alcançar de
Deus, novas e abundantes graças em favor de vossa eminência, cuja
atuação é tão útil a Igreja e a nossa pátria.
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Por isso, dirigimos nossas preces a alta princesa da siderea
esfera, que nos coros aligeros impera. Dos céus e terra gloria
soberana, honra inefável da progênie humana. Do sol divino,
imaculada aurora; das trevas infernais, dissipadora. Celeste luz,
estrela matutina, que o Brasil angustiado ilumina. Mais
incontaminada e mais formosa que em fechado jardim ilesa rosa.
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Ó virgem pura, clara soberana, de estrelas coroadas e sol
vestida, honra da geração cativa humana, vencedora da morte, Mãe
querida. Conduzi-o ao porto e a doce praia, em que seu barco seguro
a terra saia: após muitos e felizes anos de vida, gloriosa, Senhora
Aparecida!
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Em nome dos exmos. e revmos. srs. bispos sufragâneos da província
eclesiástica de Porto Alegre: d.
Hermeto José Pinheiro, bispo de Uruguaiana; d. Joaquim Ferreira de
Mello, bispo de Pelotas; d. Antonio Reis, bispo de Santa Maria; d.
José Barea, bispo de Caxias; em nome da prelazia de Vacaria e no
meu próprio, digo: Louvor, honra e glória a vossa eminência!
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